A baixa adesão à segunda dose da vacina contra a dengue tem gerado preocupação entre especialistas em saúde pública, especialmente em vista do cenário epidemiológico atual no Brasil.
Situação atual
O imunizante usado no SUS é a Qdenga, produzido pela farmacêutica Takeda, aprovado pela Anvisa para pessoas a partir dos 4 anos de idade, sendo priorizada a faixa de 10 a 14 anos em municípios com alta incidência da doença.
Dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) indicam que, de todos que receberam a primeira dose, apenas 39% retornaram para a aplicação da segunda, ou seja, cerca de 61% não completaram o esquema vacinal.
Especialistas apontam que essa discrepância fragiliza a imunidade da população, já que a proteção conferida após a primeira dose diminui com o tempo, e a segunda dose é essencial para manter a eficácia do imunizante.
Consequências no contexto epidemiológico
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, mais de 3,6 milhões de pessoas estiveram sob risco de dengue, com quase 2.700 mortes registradas no período no Brasil.
Além disso, há alertas para o retorno ou intensificação do sorotipo 3 da dengue em algumas regiões, o que pode agravar surtos, especialmente onde a cobertura vacinal for incompleta.
O que está sendo feito e os desafios
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A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) destacou que, do total de doses distribuídas desde fevereiro de 2024, apenas cerca de metade foi utilizada — reforçando o problema da baixa procura ou falhas logísticas.
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O Ministério da Saúde também adquiriu lotes adicionais da vacina para ampliar a cobertura, mas enfrenta desafios de produção, distribuição e comunicação.
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Há expectativa pela aprovação da vacina Butantan-DV, em desenvolvimento, que poderá oferecer imunização de dose única, o que facilitaria a adesão.
Recomendações
Para tentar reverter esse cenário, especialistas propõem:
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Estratégias de comunicação mais eficazes para alertar pais e responsáveis sobre a importância da segunda dose.
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Busca ativa, com convocação e lembretes para quem não retornou.
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Verificação da disponibilidade local da vacina, para evitar que pessoas cheguem aos postos e encontrem falta do imunizante, o que desestimula o retorno.
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Investimento em vacinas com regimes mais simples — regime de dose única — para reduzir as barreiras logísticas e de adesão.
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