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Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

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Porto Velho aos 111 anos: A capital feita de encontros, lutas e esperanças às margens do rio Madeira

Da força dos migrantes à perseverança dos pioneiros, a história da cidade é um mosaico de sotaques e sonhos que se entrelaçam no coração da Amazônia

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Porto Velho aos 111 anos: A capital feita de encontros, lutas e esperanças às margens do rio Madeira
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Porto Velho (RO), 2 de outubro de 2025 – Em consonância com as comemorações dos 111 anos de Porto Velho, a restauração da locomotiva Maria Fumaça Mikado nº 18, símbolo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, avança com ritmo acelerado dentro do Complexo Ferroviário de Porto Velho. Técnicos da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) executam ajustes finais na máquina com a expectativa de realizar um teste de funcionamento do apito, marcando um momento simbólico de reconexão com o passado.

Etapa atual: ajustes finais e testes

O empreendimento, iniciado semanas atrás, já percorreu fases iniciais de desmontagem e revisão de partes estruturais — caldeira, rodas e sistemas mecânicos — e atualmente encontra-se em processo de remontagem. Conforme fontes ligadas ao projeto, operadores esperam que o apito volte a soar ainda hoje, em cerimônia festiva no pátio ferroviário.

A administração municipal e a ABPF têm trabalhado em colaboração para garantir que o procedimento ocorra com segurança técnica e visibilidade pública. A presença de engenheiros especializados e a adoção de medidas de controle de qualidade estão entre os principais critérios nas etapas finais.

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Projeto maior: reativação ferroviária e turismo cultural

A restauração da locomotiva integra uma estratégia mais ampla de revitalização do trecho ferroviário entre Porto Velho e o distrito de Santo Antônio, com vistas a reativar o passeio turístico que permaneceu suspenso por anos. Há negociações em curso com órgãos federais, como o Ministério dos Transportes, para a recuperação dos trilhos originais e a reconstituição de parte da via da EFMM.

Historicamente construída entre 1907 e 1912 para transportar borracha boliviana pelo rio Madeira, a ferrovia ficou marcada por desafios extremos e por milhares de mortes entre trabalhadores, dando origem ao apelido “Ferrovia do Diabo”.

Simbolismo e impacto local

A iniciativa é percebida como um gesto de reparação simbólica à memória daqueles que sofreram durante a construção da ferrovia, além de uma oportunidade de promover turismo cultural e gerar empregos no entorno ferroviário. Para a população, a volta do som do apito é mais que nostalgia: é sinal de que Porto Velho resgata parte de sua identidade.

Prefeitura e entidades locais manifestam que, se os testes forem bem-sucedidos, a locomotiva poderá dar um pequeno percurso experimental já no dia de hoje, durante a programação oficial dos 111 anos da cidade.

O renascimento da locomotiva

Após décadas de abandono, a Maria Fumaça Mikado nº 18 está sendo submetida a um minucioso processo de restauração no Complexo Ferroviário de Porto Velho. A intervenção é conduzida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), uma entidade reconhecida pelos trabalhos de recuperação de trens históricos e gestão de rotas turísticas em vários estados brasileiros. 

O início efetivo da recuperação ocorreu em agosto de 2025, quando a locomotiva foi quase integralmente desmontada — peça por peça — para permitir a restauração de componentes críticos como caldeiras, rodas e demais partes estruturais.

A operação conta com uma equipe especializada de oito profissionais, entre eles três engenheiros, trabalhando inclusive nos fins de semana e feriados para viabilizar um retorno simbólico já no momento do aniversário da cidade.

Embora ainda não esteja apta a transportar passageiros ou tracionar vagões, a expectativa é de que a locomotiva execute um trajeto experimental de 50 metros, operando com apenas um maquinista e um fundista, com direito a emitir seu tradicional apito — marco simbólico do retorno de sua voz sobre os trilhos.

A apresentação oficial dessa ativação está marcada para 2 de outubro, às 17h, no pátio do Complexo Ferroviário, durante a celebração dos 111 anos de Porto Velho

Da nostalgia ao turismo: o resgate do trecho ferroviário

O projeto vai além da locomotiva: há negociações em curso com o Ministério dos Transportes para recuperar trechos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), construída entre 1907 e 1912 para escoar a produção de borracha no contexto da economia amazônica.

Historicamente, a EFMM ficou marcada por desafios extremos  terreno difícil, doenças tropicais, dificuldades logísticas — e por milhares de mortes entre trabalhadores; daí surgiu o apelido “Ferrovia do Diabo”. 

A ambição da prefeitura é reativar o antigo passeio turístico entre Porto Velho e o distrito de Santo Antônio, extensão de cerca de 8 km, onde está localizado o Museu Marechal Rondon. Esse passeio histórico esteve suspenso desde 1999.

Para que isso aconteça, será necessário recuperar trechos dos trilhos que foram danificados especialmente pelas enchentes de 2014.

Adicionalmente, o Complexo Ferroviário ganhará infraestrutura complementar — um restaurante no local e melhorias no ambiente turístico — para receber visitantes.

Vale lembrar que o complexo abriga o Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, com acervo que mantém viva a memória da ferrovia e sua importância na história da Amazônia.

História, especificações e simbolismo da locomotiva

A Mikado nº 18, também chamada de Barão do Rio Branco, é uma locomotiva fabricada em 1936 pela empresa alemã L. Schwartzkopf e incorporada à EFMM em 1950, desempenhando papel no transporte da borracha e cargas regionais.

Suas dimensões são de aproximadamente 15,20 metros de comprimento, com configuração de rodas 2-8-2 e diâmetro de cilindros de cerca de 55 cm.

Ao longo dos anos, muitas peças originais foram danificadas ou se perderam — o processo de restauração exigiu adaptações, uso de componentes de outras máquinas e manufatura de peças específicas em diferentes estados do Brasil.

Do ponto de vista simbólico, a retomada da locomotiva representa mais do que um feito técnico: é uma forma de resgatar a identidade da população portovelhense, de honrar a memória dos que perderam suas vidas na construção da ferrovia e de reaproximar as novas gerações de sua história local.

Como bem destaca a administração municipal, “não se trata apenas de restaurar uma máquina, mas de devolver ao povo um pedaço de sua identidade”.

Desafios, trâmites e expectativa popular

A restauração envolve também exigências legais: o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/RO) já requisitou documentação técnica, como cronograma de trabalhos e identificação dos responsáveis pela restauração, que foi providenciada pela ABPF.

A prefeitura esclarece que ainda há muitos obstáculos a superar antes da plena reativação dos passeios ferroviários, incluindo adequações técnicas, liberação ambiental e recuperação de infraestrutura de trilhos.

Porém, a retomada parcial da volta da locomotiva no aniversário da cidade representa um marco simbólico, carregado de afeto e expectativa por parte da população local.

Nas palavras do prefeito Léo Moraes, “foram quase 20 anos de abandono. Hoje, estamos devolvendo ao porto-velhense um símbolo que sempre fez parte de nossa memória, e que agora poderá novamente ecoar seus apitos”.

Para o secretário de Turismo, Paulo Moraes Júnior, “ver essa máquina reviver é viver a história, com muito orgulho”. 

O historiador Aleks Palitot ressalta que a locomotiva não foi a primeira na linha, mas tornou-se uma das mais simbólicas. Sua recuperação exige tanto zelo técnico quanto sensibilidade cultural: “Queremos devolver ao porto-velhense o orgulho de pertencer a esta terra” afirmou. 

Rumo ao futuro: o trem como motor cultural e econômico

Se concretizado, o retorno da Mikado nº 18 poderá impulsionar o turismo ferroviário em Rondônia, gerar empregos e fortalecer a rede cultural da capital. A intenção é que o trem não seja apenas peça de museu, mas elemento vivo de experiência histórica para visitantes e moradores.

Dentro desse panorama, o avanço na restauração torna-se plataforma para novos projetos de reativação de trechos da ferrovia, valorização do Museu da Madeira-Mamoré e ampliação do turismo cultural à beira do rio Madeira — abrindo um novo capítulo na relação entre passado e futuro da memória amazônica.

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