Um caso de natimorto registrado na madrugada desta quarta-feira (25) provocou momentos de tensão e destruição na maternidade municipal de Ji-Paraná (RO). Após ser informado da morte do filho, o pai da criança teve uma reação de fúria, ameaçando profissionais de saúde e causando danos ao patrimônio da unidade.
Segundo informações de servidores, a gestante estava em acompanhamento durante o trabalho de parto, com monitoramento da equipe médica. Apesar dos esforços realizados, o bebê foi retirado já sem vida.
Ao receber a notícia, o homem apresentou forte abalo emocional e passou a agir de forma agressiva. Testemunhas relataram que ele ameaçou funcionários e precisou ser contido verbalmente, gerando medo entre os presentes.
Durante a confusão, ele quebrou um bebedouro, uma lixeira e danificou a porta de vidro da entrada principal da maternidade. A Polícia Militar foi acionada, mas ao chegar ao local o suspeito já havia fugido.
A ocorrência foi registrada e encaminhada à Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp).
Família questiona atendimento
A sogra da paciente, Sandra Maria, afirmou que a gestante deu entrada na unidade por volta das 20h30, sentindo fortes dores, e criticou a demora no atendimento mais efetivo.
De acordo com ela, a paciente foi mantida em observação inicialmente, enquanto familiares pediam auxílio à equipe. “Chamamos várias vezes as enfermeiras, e diziam que era normal por estar em trabalho de parto. Se não fosse outra profissional que chegou depois, talvez minha nora também tivesse morrido”, disse.
Secretaria apresenta versão oficial
Em nota, o secretário municipal de Saúde, Cristiano Ramos, informou que a paciente optou pelo parto normal e permaneceu sob acompanhamento, com verificação periódica dos batimentos cardíacos do bebê.
Durante a madrugada, houve redução dos batimentos, o que levou à realização de um exame de ultrassom, que confirmou o óbito fetal. Segundo o secretário, a causa foi um nó no cordão umbilical.
Após a confirmação, a gestante foi encaminhada ao centro cirúrgico para os procedimentos necessários.
Cristiano Ramos destacou que, no último ano, a maternidade realizou cerca de 1.800 partos, com apenas dois óbitos registrados, o que representa uma taxa de 0,11%. Ele também ressaltou que a unidade atende pacientes de outros 16 municípios da região.
Caso será investigado
A Polícia Civil irá apurar tanto os danos causados à unidade quanto as circunstâncias envolvendo o atendimento médico e a morte do bebê. Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) também será instaurado para verificar possíveis responsabilidades.
O caso segue sob apuração.
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