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Sexta-feira, 08 de Maio de 2026

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Juventude, Direito e Política em uma era de influência digital

Por Lucas Estolano Correa Andrade

PORTO VELHO 24 HORAS
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Juventude, Direito e Política em uma era de influência digital
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Nos últimos anos, a política deixou de acontecer apenas nos partidos, nos plenários e nos jornais tradicionais. Hoje, ela acontece principalmente nas redes sociais. Em poucos segundos, um vídeo curto, uma opinião forte ou uma frase de impacto conseguem alcançar milhares de pessoas — especialmente jovens.

Isso mudou a forma como uma nova geração passou a enxergar o Direito e a própria política.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, houve crescimento na participação eleitoral de jovens entre 16 e 24 anos nas últimas eleições. Ao mesmo tempo, plataformas digitais se consolidaram como principal meio de informação política para parte dessa faixa etária. O problema é que velocidade nem sempre significa profundidade.

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Em muitos casos, debates jurídicos complexos passaram a ser resumidos em cortes de vídeo, manchetes rápidas e interpretações simplificadas. Decisões judiciais passaram a ser consumidas quase como disputas de torcida. E isso produz um efeito preocupante: a substituição da análise pela reação imediata.

O estudante de Direito que observa esse cenário percebe uma contradição interessante. Nunca se falou tanto sobre Constituição, direitos fundamentais, Supremo Tribunal Federal ou liberdade de expressão. Mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão comum encontrar interpretações superficiais sobre temas que exigem estudo técnico e responsabilidade institucional.

Existe também outro ponto importante: o crescimento do interesse político entre jovens não significa necessariamente maior compreensão do funcionamento do Estado.

Muitas vezes, a política digital cria a sensação de participação constante, quando na prática grande parte do debate permanece limitada à performance pública. A lógica do engajamento favorece opiniões rápidas, posicionamentos extremos e conflitos permanentes — elementos que costumam gerar mais alcance do que análise séria.

Isso afeta diretamente a percepção sobre o Direito.

A figura do operador jurídico deixa de ser vista apenas como técnica e passa a ocupar espaço de influência pública. Advogados, estudantes e comentaristas jurídicos se transformam em produtores de conteúdo, analistas e, em alguns casos, lideranças políticas em formação.

Naturalmente, isso amplia o acesso à informação. Mas também aumenta a responsabilidade sobre aquilo que é dito.

O desafio atual talvez não seja apenas incentivar jovens a participarem da política. O desafio é construir uma geração capaz de diferenciar influência de conhecimento, opinião de interpretação jurídica e visibilidade de legitimidade institucional.

Em uma sociedade cada vez mais imediatista, compreender o funcionamento das instituições deixou de ser apenas uma questão acadêmica. Passou a ser uma necessidade pública.

FONTE/CRÉDITOS: ADMIN USER
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